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quarta-feira, 6 de junho de 2007
Titulo mundial de Pac-Man é disputado em Nova York
 


"Wakka. Wakka. Wakka." Se você por acaso chegasse desprevenido ao Supper Club, em Times Square, na noite de terça-feira, talvez viesse a pensar que o barulho era a queixa de um ganso mal humorado.

Mas, para quem cresceu nos anos 80, a assinatura sonora do videogame que talvez seja o mais famoso de todos os tempos, o Pac-Man, era facilmente reconhecível. De todas as partes do planeta, 10 dos principais jogadores mundiais de Pac-Man - todos homens - se enfrentaram na noite de terça-feira para descobrir quem era capaz de devorar mais pontinhos coloridos, na final do primeiro campeonato mundial de Pac-Man para o console Xbox 360.

Mais de 30 mil jogadores se inscreveram para o disputado campeonato, cuja disputa online começou no mês passado, e um fato indiscutível é que a estrada para a glória entre os atletas do Pac-Man exige dedicação e sacrifício. Em certos casos, pode até causar conflitos familiares.

Pergunte a Graham Rodgers, 42 anos, de Ipswich, Inglaterra, que não conquistou uma vaga entre os finalistas porque só conseguiu o segundo posto entre os jogadores britânicos de Pac-Man na fase de abertura do torneio. Mas ele veio para assistir à final, de qualquer jeito, como acompanhante do jogador que o derrotou na disputa pelo título britânico: seu filho James, 13 anos.

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"Fico feliz por ele", disse Rodgers em entrevista, "mas eu queria mesmo vencer. Na última noite das preliminares, mandei que ele fosse dormir cedo para que me sobrassem algumas horas e eu pudesse pelo menos tentar um placar mais alto do que aquele que ele tinha conseguido, mas não teve jeito".

Antes da disputa, James disse que "não acredito que eu tenha chance verdadeira de vencer, porque há tantos grandes jogadores presentes, que eu conheço só de fama".

O mais famoso desses jogadores era também o mais velho dos finalistas do campeonato, Billy Mitchell, 41 anos, de Hollywood, Flórida, que conquistou manchetes na imprensa do mundo inteiro em 1999 quando se tornou a primeira pessoa de todos os tempos a obter o placar máximo possível no Pac-Man: 3.333.360 pontos.

O placar perfeito de Mitchell foi obtido em uma sessão contínua de seis horas de jogo. Para acelerar as coisas na final do campeonato, terça-feira, a Microsoft e a Namco Bandai, do Japão - a empresa que lançou o Pac-Man, primeiro em seu país, em 1980, e um ano mais tarde passou a vendê-lo em todo o mundo -, criaram uma versão mais rápida, conhecida como Pac-Man Championship Edition. O grupo japonês mostrou a nova versão pela primeira vez na terça-feira, e a Microsoft anunciou que ela estaria disponível para download em seu serviço de jogos online Xbox Live a partir da quarta. (Nas rodadas do torneio que foram disputadas online, os jogadores usaram a versão original do produto para o Xbox 360, e nenhum dos participantes viu a versão nova antes da noite de segunda-feira.)

"Depois de 26 anos de Pac-Man, estamos honrados por introduzir uma nova versão do Pac-Man", disse em entrevista Toru Iwatani, que projetou a versão original e os jogos novos da linha Pac-Man, e é considerado como um dos pais do videogame moderno. "Este é o primeiro grande evento dos videogames no século 21".

A versão de campeonato que foi colocada em uso na terça-feira limita a duração dos jogos a cinco minutos, e concede pontos de maneira mais generosa que a versão original. Os organizadores do torneio reduziram o número de competidores de 10 a dois ao longo de quatro rodadas, em cada uma das quais os dois participantes com o menor placar eram eliminados.

Logo que a disputa do campeonato começou, ficou claro que Carlos Daniel Borrego Romero, um concorrente mexicano que não era mencionado entre os favoritos, havia desenvolvido uma estratégia brilhante e nada ortodoxa. Borrego, 27 anos, que mora na cidade de Pachuca, contrariou a tática predileta da maioria dos jogadores, que optam por comer o maior número possível de fantasmas quando chegam às pílulas energéticas (quando o Pac-Man come a pílula energética, os fantasmas se tornam azuis e podem ser comidos, lembra?) O mexicano em lugar disso se concentrou não nos fantasmas, mas em completar os níveis do jogo o mais rápido possível, para chegar aos pontos concedidos como bônus quando imagens de frutas surgem em determinados pontos do labirinto.

Borrego avançou com facilidade até a final, e triunfou diante do austríaco Robert Glashuettner, 28 anos, de Viena, por 222.160 a 177.730 pontos. (James Rodgers terminou em sexto, e Mitchell em oitavo.)

"A sensação é maravilhosa", disse Borrego depois da vitória, que lhe valeu prêmios como um Xbox 360 edição especial e 26 anos de sanduíches gratuitos na rede Quiznos, a patrocinadora do torneio, uma vez por semana.

No entanto, a vitória revelou que Borrego não é realmente um praticante amador dos videogames. Ele na verdade é dono de uma pequena produtora de jogos eletrônicos sediada no México, a Nusof Studios, e está trabalhando em seu primeiro jogo. "Ainda não encontrei um distribuidor", disse o campeão. "Quem sabe a vitória no torneio ajude."

Via: Terra.

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